Dar banho no cachorro em casa pode ser uma ótima maneira de economizar e cuidar da higiene do animal. Mas existe uma parte que muita gente só percebe depois: o banho não termina quando você enxágua o shampoo.
O tamanho do cachorro, o tipo de pelo, a quantidade de água, a forma de secar e até a limpeza do banheiro depois do banho fazem diferença.
Para um cachorro pequeno e de pelo curto, tudo pode ser relativamente simples. Já um cão grande, com muito pelo ou com tendência a formar nós pode dar bem mais trabalho.
Por isso, antes de colocar o cachorro no box, vale pensar se você realmente consegue fazer todas as etapas com segurança.
O tamanho do cachorro muda bastante a experiência
Dar banho em um Yorkshire ou em um Shih Tzu pequeno é bem diferente de lavar um Golden Retriever ou um Husky.
Cães pequenos normalmente cabem com facilidade em um tanque ou box e são mais fáceis de segurar. O problema pode ser outro: por serem menores, eles também podem perder calor mais rapidamente se ficarem molhados por muito tempo.
Com cães grandes, o desafio costuma ser o espaço e a quantidade de pelo.
Um cachorro de 30 kg pode ocupar praticamente todo o box, espalhar água pelo banheiro e precisar de várias toalhas. Se tiver uma pelagem densa, o pelo pode parecer seco por fora enquanto ainda está úmido perto da pele.
É por isso que não existe uma única forma de dar banho que funcione igualmente bem para todos os cães.
O tipo de pelo também faz diferença
O pelo curto costuma ser mais simples de lavar e secar.
Já cães de pelo longo, encaracolado ou com subpelo precisam de mais atenção. Antes do banho, é importante verificar se existem nós e emaranhados. Quando o pelo embolado fica molhado, pode ficar ainda mais difícil de desembaraçar. Em casos de nós extensos, o ideal é procurar um profissional em vez de tentar cortar com tesoura em casa.
Poodles, Shih Tzus, Yorkshire Terriers e cães com pelagem muito cheia, por exemplo, podem exigir mais tempo depois do banho do que o próprio banho.
Esse é um dos motivos pelos quais alguns tutores preferem deixar determinados cuidados para o pet shop.
O problema de usar qualquer shampoo
Um dos erros mais comuns é pensar: “Se é bom para mim, não deve fazer mal para o cachorro”.
Não é bem assim.
A pele dos cães tem características diferentes da nossa, inclusive em relação ao pH. Por isso, shampoo humano não é a melhor escolha para o banho do cachorro e pode causar ressecamento e irritação.
Também não é uma boa ideia escolher um produto apenas pelo cheiro.
Se o cachorro tem pele sensível, alergia, coceira ou algum problema dermatológico, o shampoo pode precisar ser escolhido com orientação veterinária. Alguns cães precisam inclusive de produtos específicos para tratamento.
O excesso de banho também pode ser um problema
Cachorro cheiroso não significa necessariamente cachorro que precisa tomar banho toda semana.
A frequência depende do tipo de pelo, rotina, atividade, ambiente e condição da pele. Alguns cães precisam de banho apenas ocasionalmente, enquanto outros podem precisar de uma rotina diferente por causa de problemas dermatológicos.
Banhos muito frequentes podem retirar parte da oleosidade natural da pele e contribuir para ressecamento, coceira e irritação.
Se o cachorro começou a se coçar depois que você aumentou a frequência dos banhos, não ignore essa mudança.
O maior erro pode acontecer depois do banho: deixar o cachorro úmido
Esse é um ponto que merece bastante atenção.
Passar uma toalha rapidamente e deixar o cachorro terminar de secar sozinho nem sempre é suficiente, principalmente em cães com muito pelo.
A umidade presa perto da pele pode favorecer mau cheiro, formação de nós e problemas de pele. Além disso, cães com orelhas caídas podem ficar com a região ao redor da entrada do ouvido úmida por bastante tempo.
Depois do banho, seque bem o corpo, as patas, a barriga e as regiões onde o pelo é mais fechado. As orelhas também precisam de atenção, sem jogar água para dentro do canal. A umidade no ouvido pode contribuir para problemas em cães predispostos a otites.
E o secador? Pode usar?
Pode, mas não de qualquer jeito.
O secador muito quente e muito próximo da pele pode causar desconforto e até queimaduras. O ideal é usar uma temperatura confortável, manter uma distância segura e movimentar o aparelho em vez de deixar o ar quente parado em um único ponto.
Também existe a questão do próprio cachorro.
Alguns ficam tranquilos com o secador. Outros entram em pânico assim que ouvem o barulho.
Se o cachorro tenta fugir, treme ou fica muito agitado, não adianta simplesmente aumentar a potência. É melhor acostumá-lo gradualmente ao som e ao ar, sempre com cuidado.
Em cães de pelo longo ou muito denso, a secagem pode levar bastante tempo. É justamente nessa etapa que um pet shop pode fazer diferença, porque possui equipamentos próprios e experiência para trabalhar com diferentes tipos de pelagem.
O banheiro também precisa ser preparado
Quem já deu banho em um cachorro em casa sabe: depois parece que alguém abriu uma mangueira dentro do banheiro.
Antes de começar, retire tapetes e objetos que possam molhar. Coloque toalhas por perto e, se possível, proteja o ralo para evitar que uma grande quantidade de pelos desça de uma vez.
Depois do banho, retire os pelos presos no ralo, enxágue o box e seque o chão.
Parece um detalhe, mas o piso molhado também pode ser um problema. Um cachorro tentando sair do box em um chão escorregadio pode perder o equilíbrio.
Por isso, vale deixar uma toalha ou superfície antiderrapante onde ele vai ficar enquanto termina de secar.
Quando é melhor não insistir no banho em casa?
Nem todo cachorro se adapta bem.
Se o animal fica extremamente agitado, tenta morder, escapa o tempo todo ou não permite que você o seque, insistir pode acabar sendo estressante para os dois.
Também é melhor procurar orientação profissional quando existem muitos nós, problemas de pele, feridas, dor ou necessidade de um shampoo medicamentoso.
Filhotes, cães idosos ou animais com alguma condição de saúde também podem precisar de cuidados diferentes. O banho precisa levar em conta a capacidade do cachorro de manter a temperatura corporal e o estado geral dele.
Então, banho em casa faz mal?
Não. Dar banho em casa pode funcionar muito bem, desde que o cachorro seja adequado para esse tipo de rotina e que o tutor consiga fazer o processo completo.
O problema não é o banho em casa em si. Os maiores riscos aparecem quando o tutor usa produtos inadequados, deixa shampoo na pele, molha demais os ouvidos, não seca completamente o pelo ou tenta lidar sozinho com uma pelagem muito embolada.
E existe uma diferença importante entre um banho simples de higiene e um trabalho completo de grooming.
Para alguns cães, principalmente os maiores ou com pelagem que exige bastante manutenção, o pet shop pode facilitar muito a rotina.
No fim, a melhor escolha depende menos de “casa ou pet shop” e mais de quem consegue fazer o banho com segurança, sem deixar o cachorro molhado, irritado ou estressado.