Quem cria um tigre-d'água em casa costuma perceber uma coisa bem rápido: a água que estava limpa pela manhã pode ficar cheia de restos de comida, fezes e partículas algumas horas depois.
Isso não significa necessariamente que o filtro seja ruim. O próprio animal produz bastante matéria orgânica, e restos de ração também acabam rapidamente dentro da água. No aquaterrário, tudo fica concentrado em um espaço pequeno, diferente de um lago ou banhado.
Por isso, antes de trocar toda a água ou comprar um filtro novo, vale observar onde a sujeira está sendo produzida e fazer alguns ajustes simples.
O primeiro passo é separar o que é normal do que está fora de proporção. Um pouco de resíduo depois da alimentação faz parte da rotina, mas sobras visíveis poucas horas depois merecem atenção. Quando o tutor acompanha esse ritmo por alguns dias, fica mais fácil perceber se o problema vem da comida, do filtro ou do acúmulo no fundo.
Veja se o problema começa logo depois da alimentação
Esse é um dos primeiros pontos para observar.
O tigre-d'água costuma comer dentro da água. Quando a ração se desfaz ou sobra comida no aquaterrário, esses resíduos ficam circulando até chegar ao filtro ou se acumularem no fundo.
A alimentação, portanto, pode ser uma das principais fontes de sujeira.
Se você coloca uma quantidade maior de ração e percebe que ainda existem pedaços boiando depois da refeição, provavelmente está oferecendo mais alimento do que ele consegue consumir naquele momento.
Uma solução simples é reduzir a quantidade na próxima refeição e observar o comportamento do animal.
Para quem ainda está tentando organizar essa rotina, vale também ler o artigo sobre onde alimentar o tigre-d'água sem sujar todo o aquaterrário, porque o local da alimentação pode fazer bastante diferença na manutenção da água.
Não coloque comida demais “para garantir”
Esse é um erro bastante comum.
O tutor coloca mais ração porque não sabe exatamente quanto o animal vai comer. O tigre-d'água come uma parte e o restante fica no aquário.
O problema aparece algumas horas depois.
Não existe vantagem em deixar uma grande quantidade de ração disponível durante muito tempo. Além de desperdiçar alimento, você aumenta a quantidade de matéria orgânica que o filtro precisa processar.
A Poytara, fabricante brasileira de ração para quelônios aquáticos, possui inclusive uma formulação específica para tigre-d'água filhote, mostrando que a alimentação pode ser ajustada à fase de crescimento. Para adultos, a marca também possui uma ração específica para tigre-d'água.
Observe o fundo do aquaterrário
Às vezes a água parece razoavelmente limpa quando olhamos de cima, mas existe uma camada de resíduos no fundo.
Isso pode incluir restos de ração, fezes, pedaços de plantas, pele solta e pequenas partículas acumuladas entre pedras ou objetos.
Nesse caso, apenas completar a água não resolve o problema.
Uma sifonagem ajuda a retirar esse material sem precisar desmontar todo o aquaterrário.
Para quem mantém pedras ou outros objetos no fundo, vale levantar esses itens ocasionalmente e observar o que está acumulado embaixo.
O filtro precisa lidar com uma carga maior do que a de um aquário comum
Um tigre-d'água não produz o mesmo tipo de sujeira que um aquário montado apenas para peixes ornamentais.
Existe uma quantidade considerável de matéria orgânica proveniente das fezes, restos de comida e outros resíduos.
Criadores brasileiros especializados em tigre-d'água costumam dar bastante importância à filtragem mecânica e biológica justamente por esse motivo. A filtragem mecânica retém partículas maiores, enquanto a biológica ajuda no processamento dos compostos produzidos pela decomposição da matéria orgânica.
Por isso, não escolha um filtro apenas porque a caixa diz que ele serve para determinado número de litros. Veja também a capacidade das mídias filtrantes e a vazão real do equipamento.
Perlon e esponja podem ficar saturados rapidamente
Se você abre o filtro e encontra a manta filtrante completamente carregada de sujeira, isso é uma informação importante.
Pode ser simplesmente o resultado de muita matéria orgânica entrando no sistema.
A filtragem mecânica, usando materiais como perlon e esponjas, serve justamente para reter essas partículas. Quando esse material está saturado, a circulação pode diminuir e a eficiência do sistema também pode cair.
Não espere a água ficar com cheiro ruim para verificar o filtro.
Uma inspeção periódica costuma ser muito mais fácil do que tentar recuperar um aquaterrário que já está bastante sujo.
Água cristalina não significa automaticamente água boa
Esse ponto é fácil de esquecer.
A água pode estar visualmente bonita e ainda apresentar problemas que não aparecem a olho nu.
Por isso, a manutenção não deve ser baseada apenas em “a água está transparente”.
Testes de água podem ajudar principalmente quando existe algum problema recorrente, como mau cheiro, excesso de resíduos ou alterações no comportamento do animal.
Também é importante evitar ficar fazendo trocas completas de água sem necessidade. Uma manutenção planejada tende a ser mais fácil de controlar do que desmontar o aquaterrário toda vez que a água fica turva.
Se a água suja muito rápido, procure a causa antes de aumentar a frequência das trocas
Imagine esta situação: você troca a água na segunda-feira e na terça ela já está suja novamente.
Se isso acontece repetidamente, simplesmente trocar a água cada vez mais vezes pode virar uma rotina cansativa e não resolver a origem do problema.
Observe nesta ordem: alimentação, restos no fundo, filtro, mídia filtrante, volume de água e rotina de manutenção.
Muitas vezes, uma pequena mudança na alimentação ou na retirada dos resíduos já reduz bastante a quantidade de sujeira que chega ao filtro.
E se o problema for principalmente a ração?
Nesse caso, não adianta pensar apenas no filtro.
O local e a maneira de oferecer o alimento também fazem diferença.
Como o tigre-d'água normalmente se alimenta dentro da água, muitos tutores simplesmente jogam a ração no aquaterrário e deixam o animal comer ali. Funciona, mas pode aumentar bastante a quantidade de resíduos espalhados.
Por isso, vale testar uma rotina de alimentação mais organizada.
No próximo artigo, explicamos como escolher um local separado para alimentar o tigre-d'água e quando essa estratégia realmente vale a pena.
Conclusão
Ter água limpa não significa deixar o aquaterrário perfeito o tempo inteiro. O mais importante é entender de onde está vindo a sujeira e ajustar a rotina. Para muitos tutores, o problema começa com excesso de ração e termina com um filtro trabalhando além do necessário. Antes de trocar todo o sistema, observe o que acontece durante algumas refeições. Às vezes, o ajuste mais simples está justamente aí.